Artigo

A família e nossas escolhas pelo trabalho

"Em uma escolha entre o amor e a nossa própria satisfação, é compreensível se muitas vezes fechamos nossos horizontes para preservar nosso relacionamento com aqueles que nos levaram ao mundo". Sobre o livro "Middlemarch: um estudo da vida provinciana", de George Eliot.

Recentemente num curso da School of Life tive um momento eureka, quando criei a consciência de que a forma como meus pais encararam o trabalho a vida inteira foi tão responsável pela minha liberdade, quanto eu mesma.

E, sobretudo, como esse tema está cada vez mais relevante na formação das pessoas, e o cuidado que devemos tomar ao chegarmos em casa e compartilhar, em família, nossas experiências:

1. Tive ainda mais convicção de que o que fazemos não nos define;

2. Quebrar a corrente da pergunta às crianças "o que você vai ser quando crescer", listando características, não profissões;

3. Reforçar que nossa identidade é quem somos, não o que fazemos e que ter essa clareza vai nos ajudar a pedir do trabalho aquilo que vamos querer dele e não o que achávamos que ele devesse suprir.

Descobri, em uma reflexão rápida e depois de ter mandado uma mensagem para meus irmãos no whatsapp, que embora meus pais não fossem apaixonados pelo que faziam, não tivessem esse viés de "propósito", "mudar o mundo", eles nos ensinaram que o valor deles ao trabalho era conviver com pessoas ora semelhantes, ora diferentes; que com a dedicação puderam nos dar uma excelente educação, lazer e, sobretudo, caráter sobre a utilização dessas conquistas materiais.

Descobri que não cresci em um universo de reclamações, fossem elas "meu chefe é escroto", "meu trabalho é chato", "trabalho demais", mesmo que eles tenham vivido cada uma dessas dificuldades, diversas vezes.

Descobri que embora as leis hoje sejam diferentes das do século XVIII, XIX e até XX, em que os filhos só poderiam trabalhar em funções que o pai (na grande maioria dos casos) autorizasse, ou que ele estabelecesse ser "bom o suficiente para meu filho", que há ainda muitas, muitas, muitas pessoas que escolhem o trabalho nessa premissa familiar e que então, sobretudo, o amor pode mesmo controlar mais do que a ausência de leis, principalmente se vier carregado de medo ou liberdade.

Descobri, por fim, que por mais que eu achasse que eu não tinha uma premissa familiar para o trabalho, tive certeza que sim. Mas como ela foi discreta, verdadeira, introjetada organicamente, veio como na formação do caráter, na vivência máxima de que sou livre para ser feliz e que o trabalho deverá ser para mim o que eu quiser que ele seja.

E esse exercício de amar, libertando o outro, deve ser um dos mais difíceis: Obrigada mãe, e pai: Isso fez toda a diferença!

Babi

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