Artigo

A falta de sentir falta: estamos cheios demais?

Estamos em Setembro. Aliás, já quase na metade de Setembro. E qual é a razão por contar tanto o tempo?

A cada instante que reconheço sentir que o tempo vai rápido demais, parece que eu é que estou lenta para a velocidade das coisas: sempre há falta.

Falto com telefonemas à família; falto com aniversários de amigos (perto ou longe); falto em estudar, ler um livro, uma revista, um artigo. Falto na academia, na matrícula de um curso que já vi quanto custa, mas só não fui lá pagar - quanto mais frequentar?. Falto, mesmo que eu queira, que eu tente estar. Mas arrisco: não falto ao trabalho.

Há momentos, principalmente Domingo, que resolvo olhar meu celular e, ao invés de responder às mensagens às quais faltei atenção ou simples resposta ao longo da semana, travo. Na falta faltante, decido me faltar; quase me ausentar de mim mesma, desse tempo, dessas coisas. Falto à ação e durmo. Descanso. Faço nada.

Nessa organização para não fazer nada, e isso é um refúgio para mim, causo uma estranheza para o outro; enquanto, para mim, estranhas são as pessoas em restaurantes, bares (e "até" cinema/teatro) ficarem incessantemente ao celular. Eu entendo: "aproxima quem está longe, afasta quem está perto". Eu entendo: "é uma ferramenta, a pessoa quem deve saber usar".

Me preocupa a leitura das pessoas sobre essas coisas todas: Me preocupa estar na praia, em shows, em parques, museus, cafés, ou em qualquer tipo de vivência experimental e ver que as pessoas, muitas vezes, não estão vivendo e nem experimentando, mas "postando", contando "para o outro" - o mesmo outro que está vendo e não necessariamente inteiro naquilo que vê e, sequer, vive ou é.

Usando quase minimamente o celular, ainda assim, me falta muita coisa! Tentei me colocar em dia durante as férias; fiz questão de escolher um lugar isolado, "desconectado", e ainda assim, faltou. Faltou tempo para mais dessas paradas.

Diariamente falta tempo para sentir menos "ah, queria mais tempo" para fazer tanta coisa e tempo para não fazer nada. Tempo e qualidade de tempo para estar inteira nas relações. Para viajar e aproximar o longe a ser perto. Tempo para ser, não estando. Só sendo.

Mas, arrisco: não falto ao trabalho. E talvez você também não.

Sinto isso. Todos transbordados, cheios, cansados: "Nunca fizemos tanto e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram tanto por tão poucos".

Pausemos: antes que o tempo nos pare: "longas caminhas necessitam boas paradas".

Babi

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