Artigo

Como reinventar sua carreira - em casa

Semana passada assisti a uma live da Sofia Esteves, do grupo Cia. de Talentos, com o André Portilho, Head da Exame Academy, cujo título era "Como reinventar sua carreira em tempos de crise".

Foram quase cinquenta minutos meio desconexos, não sei se sou inexperiente em lives ou se apesar da pauta o conteúdo tomou outro rumo mesmo. Saí do Youtube frustrada, porque foi mais uma conversa "mais do mesmo", sobre "a importância do líder em delegar mais"; ser "preciso ter soluções criativas", "gerenciar seu tempo", "desenvolver as soft skills, principalmente, autoconhecimento, adaptabilidade, flexibilidade, empatia (...)".

Ao final, veio a clássica fala recorrente desde mais ou menos 2017: "É preciso aprender a desaprender para reaprender (...). Cabeça aberta dos gestores para se adaptar: resiliência (...) para encarar problema como oportunidade de desenvolvimento".

Sério. Desliguei frustrada. Fui fazer meu almoço pensando "tá, mas como?". Eles tinham prometido falar sobre "como" e "reinvenção". Não ouvi algo do tipo ou não entendi a live - de novo. Me senti lendo sites de receita que listam os ingredientes para um prato, sem medidas e aquela parte "modo de preparo".

Sou estudiosa do "Futuro do Trabalho" consistentemente desde 2016 e a reinvenção do indivíduo para "novos cenários de atuação" é uma das minhas principais premissas de atuação: se ele não quiser e não fizer ele será transformado e não um agente transformador.

Bom, sei lá eu o que esperava da live dos dois, afinal, existe um "como?". Haveria essa receita tão fácil de executar quanto as da Rita Lobo? Não me parece. De todo modo, a partir de tantos questionamentos que me surgiram, decidi compartilhar como eu vejo "o modo da reinvenção", independentemente de ser em "tempos de crise" e sem esperar "meu líder", "o RH", ou quem seja. Reinventar-se requer muitas coisas internas, decisões individualizadas, respeitadas às habilidades e desejos e condição de cada um de exercê-los: o fator externo atua como um acelerador, um catalisador disso tudo.

Tal como a "transformação digital", o #coronavirus "apenas" antecipou, trazendo urgência, ao que muitos de nós poderíamos ter antecipado, caso tivéssemos sido educados em uma cultura de trabalho protagonista. Não. Esperávamos "o momento da disrupção chegar" e pouco nos preparamos - ou lentamente. Apesar das narrativas, ainda nos sentíamos "com tempo", até que ela chega da forma mais assombrosa e inesperada possível.

Então, vou tentar um "como nos reinventar, #emcasa", e não em "tempos de crise" - estou partindo do pressuposto que a grande maioria que vai ler este artigo #podeficaremcasa::

  1. Substitua o modelo mental (o tal do mindset): Para tudo o que pensar de maneira linear, como causa e conseqüência (aparentemente) óbvios, se interrompa e questione: essa análise é interdependente e conectada a outros - pessoas, processos? Passe a avaliar as situações de maneira inclusiva e criativa, conectando o que é aleatório, o que pode não fazer sentido, mas que criará a alternativa mais abundante e sistêmica.
  2. Reformule perspectivas: Como você via o mundo antes do Corona? Como você se via antes desse momento? Como você vê agora - a si mesmo e ao mundo? A nossa projeção individual deve estar baseada num contexto coletivo. Essa intersecção que aprendemos quando quebramos o paradigma da linearidade confunde e talvez por isso o home office tem sido tão amplamente discutido: não é só sobre "trabalhar de casa", mas sobre as pessoas "se sentirem livres" mas não "autônomas" para tomar decisão. Recombine o jogo. Nas novas perspectivas de relação, a confiança se dará pelo respeito e não pela autoridade.
  3. Abandone soluções de ontem: elas não vão funcionar, mesmo! Haverá um novo normal, porque o que teremos não será o que era, nem o que é: tudo está por ser (re)construído. Para cada problema novo que surgir, desde o cardápio do almoço, o gerenciamento de pessoas emocionalmente abatidas, faturamento, reposição de time, cuidado com pessoas que ainda precisam estar no front, conciliação de crianças com a nova rotina, busca de novas janelas de trabalho e oportunidades, enfim, para qualquer novo desafio, permita-se: a) investigar e ser curioso: faça perguntas, olhe dados, converse com alguém que diverge da sua opinião. Para demandas novas, o caminho é descobrir. b) sê resiliente ao erro. "Refazer" é mantra. Permita-se admirar-se pelas novas tentativas e utilize-se da repetição e das tentativas como ferramentas para um novo engajamento: é a partir da ação por si mesmo que haverá observação e reflexão como melhora de performance - já no dia seguinte!
  4. Quando as reflexões vierem, anote. Tudo é dado e insumo que num instante pode te clarear o que fazer, fazer melhor e/ou diferente:
  • Em que desafios você quer estar, quando isso passar? O que te traz satisfação no ambiente de trabalho? Relembre os momentos em que você foi feliz durante o trabalho e liste as emoções positivas que sentia e em quais situações.
  • O que você quer manter, quando isso passar? Quais são seus valores inegociáveis, os quais você resgatou agora, e que não quer abrir mão? Por que vivê-los te faz melhor?
  • Liste carreiras, profissões, projetos com os quais gostaria de estar envolvido. Busque uma pessoa, no mínimo, para cada uma delas. Apresente-se a elas, focando-se em suas habilidades, desejos, potencial de execução, interesses e vontades. Colha feedback e, ao identificar gaps, busque novas ferramentas que possam te ajudar no alcance do que falta. Potencialize o que já tem como talento, seja como for, use! Tente se dedicar por 30 minutos por dia, ou como você conseguir, a algumas dessas novas janelas - de atuação, de ser, de fazer, aprender, conhecer, descobrir ou viver.

O aumento na diversidade de conceitos levará a uma diversidade de práticas. A dimensão reflexiva gerada a partir delas levará à inspiração. E, inspirados, poderemos nos reinventar: "A gente não transforma nada sem viver o que está sendo transformado".

Outros artigos que podem ajudar:

  • Design Thinking para melhorar sua carreira - aqui.
  • Escolha o tempo ao invés do dinheiro - aqui.
  • Pelo direito a não ter carreira nenhuma - aqui.
  • 05 perguntas que podem te ajudar a encontrar o seu propósito - aqui.

Babi Teles (https://paxe.com.br/sobre)

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